domingo, 23 de outubro de 2011

Quadrilha desordenada

A nossa vida amorosa seria mais fácil se seguisse meu esquema lógico:

Eu gosto de você, você gosta de mim, nós ficamos juntos.

Assim, sem rodeios, sem terceiras ou quartas pessoas se magoando. Porque é claro que você já reparou nisso, sempre há pessoas magoadas em histórias de amor. Pessoas que nem fazem parte do casal, ou seja, tua vida amorosa envolve muito mais do que apenas você e o ser amado.

Pensemos num caso simples:

Mariazinha gosta de João e não diz nada para ele. Chiquinho gosta de Mariazinha e também não diz nada para ela. Lucinha aparece e começa a namorar com João. Mariazinha fica triste e não quer mais saber de gostar de ninguém.

E então, coitada da Mariazinha né? Que nada! E o Chiquinho que foi esquecido lá no começo da história? E eu não preciso te dizer que ainda tem muitas outras pessoas envolvidas nisso aí né? Tem aquela ex do João que sempre sonhou que ele fosse voltar. Tem o ex da Lucinha que foi largado e trocado pelo João. Tem a menina do andar de baixo louca pelo Chiquinho, pra quem ele nunca deu atenção, já que só tinha olhos pra Mariazinha. Enfim, não é muito sofrimento por um casal só.

Eu sei que parece confuso, mas é assim mesmo. Então daqui pra frente vamos colocar a minha tática em prática ok? Não largue, não alimente esperanças, não pegue o namorado alheio e muito menos destrate aqueles que gostam de você. Dá pra ser ou tá dificil?


- baseado em Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade.
(texto de 06/2010 ainda não publicado, sem edições)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Eu vou casar...

Eu, que tanto já escrevi aqui sobre desamores.
Eu, que tanto já falei sobre desilusões.
Eu, que diversas vezes desacreditei da ideia de que em algum lugar haveria alguém perfeito pra mim.

E não é que eu tava certa? Descobri que realmente não há em lugar nenhum uma pessoa perfeita para cada um de nós. Por um motivo bem simples: Nós não somos perfeitos pra ninguém. No meu caso então, nem se fala.

Apesar disso, vou casar.

Vou casar, porque agora eu sei que não preciso enfrentar tudo sozinha, resolver tudo sozinha, me descabelar sozinha. Encontrei alguém com quem eu posso dividir minhas imperfeições. Alguém que as entende e percebe que elas também fazem parte do pacote. Alguém cujo as imperfeições me ensinam todos os dias.

Esse alguém me faz exercitar o respeito mutuo, respeito pela liberdade do outro, pela independência do outro. E respeito que faz com que eu perceba o momento certo de esquecer disso tudo, chutar o pau da barraca e mostrar pra ele quando um caminho está errado.

É preciso respeitar muito para saber debater de frente, discutir ideias, saber ouvir e mudar de opinião. É preciso baixar a bola, baixar a cabeça e baixar a guarda. É preciso humildade, persistência, paciência. É preciso se abrir para que tudo isso te aconteça e te faça crescer.

Vou casar porque encontrei alguém que não é perfeito, assim como eu. Mas que olha na mesma direção que eu, quer me ver vencer, acredita em mim. Casar não é fácil? Já ouvi isso incontáveis vezes. Nunca pedi nada fácil na vida, nunca tive nenhum brinde fácil da vida, mas isso não me impediu de ter grandes momentos de felicidade durante toda a caminhada.

Vou casar porque estou disposta a passar pelos momentos difíceis para saber valorizar os momentos alegres. Disposta a ceder, a repensar, a reorganizar minha maneira de ver e viver. Estou disposta a amar, confiar e conviver. De fato não achei a pessoa perfeita, aquela que só existe na imaginação. Mas certamente encontrei a única pessoa com a qual pretendo dividir, somar e multiplicar a vida.

 Não vou tentar convencer ninguém que hoje está chorando de desamor de que o amor é isso ou aquilo, que ela pare de chorar ou coisa do tipo. Porque quando ela encontrar a tal pessoa única, se dará conta de que era necessário passar por todas essas situações para se preparar para seu amor de verdade. Pontes necessárias para nos levar ao caminho certo.

Eu vou casar porque já não há outro caminho para minha vida, não tenho (nem quero) mais fazer planos sozinha, me virar sozinha, me sentir sozinha. Vou casar porque é pra isso que me preparei por tanto tempo. Todos os contratempos que passei, sofri e chorei, me confirmam o quanto é especial e único o encontro que acontece agora. Vou casar não porque acredito em casamentos, mas porque confio e acredito no meu casamento.

Perdoa-me se não sei falar agora de forma tão melosa quanto as palavras que usava antes, que por pouco não escorriam mel. Agora falo com a voz da maturidade de um amor de verdade.