quinta-feira, 7 de agosto de 2008

a chuva murmurou meu nome...

Pé d'aguá como poucos que já vi nessa vida de um ano e meio em João Pessoa... A volta pra casa, com ônibus cheio, chuva e pseudo-trânsito, me lembrou São Paulo.

É isso mesmo, pseudo! Trânsito de verdade é aquele de passar uma hora e meia entre a estação Brigadeiro e Consolação do metrô, aquele em que cada metro andado já é grande vitória, cheio de buzinas e gritos abafados nos vidros fechados. É aquele caus que te transporta pra longe, no meio de tanta bagunça você pode criar grandes filosofias ou ter idéias, lembrar de fatos, como eu me lembrei hoje, mesmo no meu pseudo-trânsito.

Na pré-adolescência frequentava o Teatro Popular do Sesi, platéia enorme, palco glamuroso, das instalações de arte até a pipoca vendida na porta, tudo parecia vir de uma outra realidade. Meu sonho era trabalhar na Av. Paulista, me vestir como as meninas que andavam por ela, senti-la melhor, participar dela. Anos depois lá estava eu, subindo rotineiramente as escadas da estação Brigadeiro, parando na Casa do Pão de Queijo, pedindo meu chocolate quente e reclamando do atendimento, decorando cada acorde das 27 músicas que cabiam no meu mp3.

E o sonho foi virando meu dia-a-dia, eu me tornei uma das meninas da Paulista, me vestia como tal, de uma forma que não dá bem pra definir, mas que é peculiar a todas que lá frequentam. Eu també comecei a fazer parte dela. Conhecer cada lojinha, encontrar maravilhas por lá. Capaz de localizar o que você quiser e quando precisar. De padaria chique a boteco barato. Posso te indicar a pizza mais engraçada, o sushi mais barato, a bombonieri que fará você engordar horrores e nem ligar, farmacia dos atendentes mais simpáticos, a padaria 24h que vende jurupinga. E posso te contar uma história de cada cantinho desse e como cada um deles ficará pra sempre marcado em mim.

Impossível contar quantas sexta-feiras, quartas e demais dias de strass, terminaram no Blue Point chamando o Willllllllson. E outros tantos dias de cursinho trocados pelo vão do Masp, pelo Chop do Bobs, por conversas em Acapulco. Impossível também saber quanto nossos cartões deixaram em cada balcão, em isqueiros perdidos quase diariamente, em porções de queijo e fritas. Menos possível ainda é mensurar o valor das amizades feitas nessa eternidade de um ano e pouco, tão intensamente vivida. Companhias para tirar foto no posto de gasolina, paquerar makenzianos ou levar amigos bêbados pela calçada. Afinal, quantos hippies teriamos ajudado com tantos brincos comprados? Quanto depositamos em cada cinzeiro? Quantos funcionários haviam mesmo no almoxerifado da empresa? Quantos engravatados paquerados ? E os conquistados?


Não dá, não rola contabilizar as risadas, as gargalhadas, as piadas, nem os arrotos maleducados. É muita história pra tentar resumir em palavras num texto saudosista. Isso tudo é saudade? É sim...mas agora sem sofrimento, sem peso. É saudade de um tempo que agora conseguiu se aceitar no passado e que lá ficará guardado com muito carinho. Agora são outros tempos! Nem dá pra comparar, eu evolui, tudo evoluiu...Inclusive o mp3, que agora virou mp4 e cabe umas duzentas e poucas músicas! ;)


Valeu a pena...Valeu a pena...Pescador de Ilusões...

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