sábado, 15 de agosto de 2009

Tem hora que dá vontade de jogar palavras pra todos os lados. Atirar palavras, derramar palavras. Expulsar algumas. Adotar outras. Quero soltá-las, quero que por si só elas tomem forma, tomem gosto de ser. Me solto com elas, sinto e me arrisco em frases. Antes letras, depois palavras, depois as frases e só depois e mais depois textos. E mais depois pensamentos que se tornaram concretos. Palavras palavras depois e depois. Só palavras sem pontos sem finais sem pausas. E antes palavra desmanchada, desconexa, desintegrada, desapalavra. E agora palavrar e depois palavirá e depois mais depois.


Salvador Dali O Livro

Não é por isso que eu não possa estar feliz, sorrindo e cantando...




Porque problema todo mundo tem, tem mesmo e têm uns bem mais difíceis de resolver, outros até que não tem solução, mas não é por isso que eu vou me descabelar.

Pera lá, não tô dizendo que a gente tem que se conformar com nossos problemas e achar que eles são karmas de vida, que você é obrigado a se sujeitar a qualquer tipo de humilhação ou coisa parecida. Tô falando da forma de levar as coisas, saber que temos que tentar resolver essas broncas, mas sem perder o rumo o resto da vida por causa delas!

Você não tem culpa se eu bati o dedinho no pé da cama quando acordei, não tinha café da manhã pronto, o ônibus tava lotado e me apertaram feito sardinha, muito menos culpa por minha conta estar zerada e eu não fazer a menor idéia de como vou pagar as dividas do mês. Isso tudo é problema meu, talvez por eu ter acordado tonta e não ver a cama na minha frente ou ter gastado em coisas inúteis ao invés de poupar a grana. Mesmo com todas essas verdadeiras tragédias gregas na minha vida, eu vou sorrir pra você e dar bom dia, me desculpar se por acaso minha bolsa gigante bater na tua cabeça naquele mesmo ônibus cheio e cantarolar minhas musiquinhas pelo meio da rua.

É preciso muito bom humor pra encarar os problemas e não deixar que eles tomem conta da minha vida. Ainda bem que isso não me falta! É claro que ainda existem as crises existenciais e principalmente as crises de carência, mas isso é uma outra história.

Essa moça ta diferente...

Ela não era assim mesmo! Onde ficou aquela que era toda segura de si, sempre desarrumada e desajeitada, mas sempre em conversas com tom de “clima no ar”. Agora vive assim, sem um amor, uma paixão de verdade sabe? Sem os climinhas de paquera, tão naturais pra ela. Hoje anda meio acuada, com medo de parecer isso ou aquilo, toda cuidadosa nas palavras, medindo os sorrisos pra que não aparentem ser falsos nem naturais demais, talvez eles não gostem das espontâneas, talvez não gostem das naturais.

Tadinha, vive numa crise de identidade, manter-se como sempre, mesmo que agora não funcione mais ou se adaptar e mudar também? Quem sabe começando pelo seu vocabulário, gosto musical, roupas e cabelo. Afinal, nessa nova realidade os seus cachos sem forma definida não fazem nenhum sucesso, suas tiradas sarcásticas não parecem tão inteligentes e suas cantadas baratas (e ensaiadas) não fazem mais os homens se derreterem por ela.

Tenta por vezes incorporar essa nova criatura, que acredita ser a ideal pra voltar ao seu auge da popularidade, convites para cinema, passeios inocentes no shopping, o andar de mãos dadas (o que lhe faz tanta falta!). Será que vale a pena mesmo? Revolucionar pela aceitação, enquanto tantos brigam para ser aceitos assim, da forma que são...

Eu espero que ela agüente firme, até que percebam que seu brilho vem justamente dessa diferença, que se o barato fosse ser igual não seriamos tão divertidos, nada mais nos encantaria, nem surpreenderia. Nenhuma música nova nos fascinaria, nem uma nova descoberta nos deixaria tontos de alegria , ninguém mais seria capaz de nos causar uma paixão de fechar os olhos e suspirar fundo. Ufa!


Gabriela Lima 11/03/2009 – 15:45