Ela não era assim mesmo! Onde ficou aquela que era toda segura de si, sempre desarrumada e desajeitada, mas sempre em conversas com tom de “clima no ar”. Agora vive assim, sem um amor, uma paixão de verdade sabe? Sem os climinhas de paquera, tão naturais pra ela. Hoje anda meio acuada, com medo de parecer isso ou aquilo, toda cuidadosa nas palavras, medindo os sorrisos pra que não aparentem ser falsos nem naturais demais, talvez eles não gostem das espontâneas, talvez não gostem das naturais.
Tadinha, vive numa crise de identidade, manter-se como sempre, mesmo que agora não funcione mais ou se adaptar e mudar também? Quem sabe começando pelo seu vocabulário, gosto musical, roupas e cabelo. Afinal, nessa nova realidade os seus cachos sem forma definida não fazem nenhum sucesso, suas tiradas sarcásticas não parecem tão inteligentes e suas cantadas baratas (e ensaiadas) não fazem mais os homens se derreterem por ela.
Tenta por vezes incorporar essa nova criatura, que acredita ser a ideal pra voltar ao seu auge da popularidade, convites para cinema, passeios inocentes no shopping, o andar de mãos dadas (o que lhe faz tanta falta!). Será que vale a pena mesmo? Revolucionar pela aceitação, enquanto tantos brigam para ser aceitos assim, da forma que são...
Eu espero que ela agüente firme, até que percebam que seu brilho vem justamente dessa diferença, que se o barato fosse ser igual não seriamos tão divertidos, nada mais nos encantaria, nem surpreenderia. Nenhuma música nova nos fascinaria, nem uma nova descoberta nos deixaria tontos de alegria , ninguém mais seria capaz de nos causar uma paixão de fechar os olhos e suspirar fundo. Ufa!
Gabriela Lima 11/03/2009 – 15:45